segunda-feira, 18 de julho de 2011

Ausência

Eu deixarei que morra em mim o desejo de amar os teus olhos que são doces
Porque nada te poderei dar senão a mágoa de me veres eternamente exausto.
No entanto a tua presença é qualquer coisa como a luz e a vida
E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto e em minha voz a tua voz.
Não te quero ter porque em meu ser tudo estaria terminado.
Quero só que surjas em mim como a fé nos desesperados
Para que eu possa levar uma gota de orvalho nesta terra amaldiçoada
Que ficou sobre a minha carne como nódoa do passado.
Eu deixarei... tu irás e encostarás a tua face em outra face.
Teus dedos enlaçarão outros dedos e tu desabrocharás para a madrugada.
Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu, porque eu fui o grande íntimo da noite.
Porque eu encostei minha face na face da noite e ouvi a tua fala amorosa.
Porque meus dedos enlaçaram os dedos da névoa suspensos no espaço.
E eu trouxe até mim a misteriosa essência do teu abandono desordenado.
Eu ficarei só como os veleiros nos pontos silenciosos.
Mas eu te possuirei como ninguém porque poderei partir.
E todas as lamentações do mar, do vento, do céu, das aves, das estrelas.
Serão a tua voz presente, a tua voz ausente, a tua voz serenizada.
Vinícius de Moraes

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Agora

Essa vida é curta demais.
É mais valido passar um tempo longe , pensando. E voltar certa do que é daqui pra frente. Sem que o passado atrapalhe ou me faça voltar apenas pra sentir falta ou lamentar pelo que não foi, ou pelo que foi e pelas marcas que deixou.
Do que passar o resto de tempo que eu tenho com coisas que não me completam mais. Com o que não me serve. A vida é curta pra viver de qualquer jeito, quero outro jeito. Quero o MEU jeito. Não é tristeza ou tão pouco indiferença. É responsabilidade comigo mesma, com a vida que me foi dada. Sabe  daquilo que todo mundo foge? Eu quero toses enormes de responsabilidade. Assim pelo menos eu fico com a certeza de que me coloco pra baixo e que eu mesma me levanto. Sem precisar de ajuda de sinas ou de mãos estendidas como se pudessem mudar os pensamentos que eu mesma não me proponho mudar. Sem essa ilusão de que a vida faz o que bem entender. Com a certeza de que ela nos da às oportunidades, o tempo pra essas oportunidades se tornarem fatos. Com a certeza de que tudo tem seu tempo. De que cada pessoa e cada sentimento entram nesse tempo e muda durante o tempo. É isso, preciso de um tempo .  Eu não falo como quem esta revoltada com a vida e resolve mudar. Eu admito como mulher o que essa já não me serve mais. Isso não pode ser ruim, não tem como ser . Tão fora de mim mesma, apenas pra voltar mais certa do que algum dia ja fui. Não quero me tornar um poço de seriedade, nem tao pouco quero me prender em idéias formadas. Quero colocar limites pra que eu possa ultrapassar. Não sei o que posso esperar daqui pra frente. Apenas sei que quero algo bem melhor do que fui daqui pra trás. A vida eh mesmo assim, ela leva de um jeito e trás de outro. Agora eu permito que isto seja feito tambem de mim .